Como a sua pesquisa pode se transformar em um artigo científico?

Neste texto, vamos te mostrar como a sua pesquisa acadêmica (TCC, mestrado ou doutorado) pode se transformar em um artigo científico.

Em outro post aqui do blog, nós demos 3 dicas básicas para te encorajar a publicar um artigo científico. A partir dessas dicas, surgiu uma dúvida muito comum entre os pesquisadores: COMO usar o texto da pesquisa em um artigo se depois eu vou precisar dele na dissertação ou na tese? Posso fazer isso? O texto não precisa ser inédito?

Agora vamos detalhar um pouco mais esse processo, dizendo COMO você vai fazer isso e te explicar POR QUE você PODE fazer isso. Vamos lá?

Como usar o mesmo texto?

Quando se fala em “recortar a pesquisa”, a ideia é retirar um pedaço do texto que está sendo produzido e transformá-lo num artigo científico. Esse texto pode ser um relatório, um TCC, uma dissertação ou até mesmo uma tese.
Conforme o tamanho do artigo que você pretende escrever, esse pedaço pode ser um capítulo inteiro, uma seção dentro de um capítulo ou apenas uma ideia que você teve, mas que ainda não desenvolveu.
Portanto, se você já tem um capítulo inteiro escrito, o caminho mais fácil para transformá-lo em um artigo é adaptar esse texto às diretrizes da revista que você escolheu e fazer um texto completo no tamanho do artigo.

Por que esse texto do artigo não vai ser o mesmo do TCC, da dissertação ou da tese?

Se pensarmos na própria noção de “texto”, o capítulo do seu TCC, da sua dissertação ou da sua tese faz sentido dentro do seu trabalho porque ele está acompanhado de uma introdução, de outros capítulos e de uma conclusão.
Assim, quando você retira esse capítulo do trabalho, você precisa criar um novo sentido completo para ele. Isso significa que você vai precisar elaborar uma introdução para o seu artigo, ampliar o desenvolvimento e escrever uma conclusão sobre aquele recorte que você fez.
Após esse artigo ser publicado, você pode até perder a forma como tinha escrito aquele capítulo ou aquela seção. Porém, a ideia, o conteúdo, o trabalho, as reflexões e as conclusões a que você chegou até ali NÃO serão perdidas!

E por que você pode fazer isso?

O texto que está sendo produzido em sua pesquisa é totalmente seu, ou seja, é resultado do trabalho que você está desenvolvendo. Então, você é a única pessoa que pode usá-lo para diferentes fins.
No início da pesquisa, quando transformamos uma hipótese em texto, temos a sensação de que devemos guardar aquela ideia para o trabalho final. Assim, temos medo de “queimar” essa ideia num artigo e depois não ter mais o que escrever. Se estamos no final da pesquisa, achamos que o texto precisa se manter inédito.
Nesse ponto, chegamos ao tal do INEDITISMO. Essa questão do ineditismo tem 2 “mitos”: 1) o de que não se pode escrever a mesma ideia de um outro jeito (há inúmeras formas de escrever, em diferentes formatos e contextos); 2) achar que, ao final da pesquisa, você vai estar pensando do mesmo jeito que pensava no início…

Por que esse segundo MITO é mais grave?

Quando se fala em pesquisa acadêmica, em desenvolvimento da ciência,  estamos falando que hipóteses, questões, descobertas, testes e resultados são definitivos até aquele momento e dentro daquele contexto. Assim, só conseguimos construir o conhecimento quando superamos ou aprimoramos o que nós (ou algum outro pesquisador) havíamos descoberto.
Essa “superação” pode ocorrer dentro de semanas, meses ou anos. Perceberemos que isso ocorreu quando aquela ideia inicial (que era brilhante) agora parece estar equivocada.
Portanto, é importante você saber que não há nenhum problema nisso! Isso só ocorre porque a pesquisa científica não é estática; ela está sempre em andamento. Não existe uma única verdade ou uma verdade absoluta que não possa ser questionada com método, com experiência, com reflexão, com outra pesquisa, enfim, com ciência e com amadurecimento.

Então, quando uma pesquisa termina?

Uma pesquisa é considerada concluída quando os prazos estabelecidos para seu desenvolvimento são alcançados. Ou seja, quando chega o momento de entregar a versão definitiva do TCC, da dissertação ou da tese.
Porém, aquele assunto só vai parar de ser aprimorado quando pararmos de pesquisá-lo e de refletir sobre ele. Por isso, é comum encontrarmos em alguns artigos, cujos autores já assimilaram essa questão, as seções chamadas “Considerações”, “Considerações parciais” ou mesmo “Considerações nunca finais…”.

Então, não tenha medo de “queimar” as ideias que você já teve em um artigo porque as chances de você amadurecer suas hipóteses de pesquisa e sua forma de escrita são muito grandes depois que você publicar esse texto. Isso não só pelo parecer que você vai receber, pela avaliação do seu artigo, mas também pela forma como você mesmo vai lidar com os seus problemas de pesquisa. 😉

 

Fernanda Massi é Pós-doutora em Linguística Aplicada pela UNICAMP, Doutora e Mestra em Linguística e Língua Portuguesa pela UNESP/Araraquara e coordenadora da equipe de revisão e normatização da e-ditora Letraria. Fez iniciação científica, mestrado e doutorado com bolsa FAPESP e pós-doutorado com bolsa CAPES. Trabalhou como professora substituta em duas universidades públicas e foi orientadora de TCC e de iniciação científica. Trabalhou com a avaliação de artigos científicos em diversas revistas, além da avaliação de trabalhos acadêmicos em eventos científicos.

Se você tem alguma sugestão de tema ou dúvida, pode deixar aqui nos comentários que a gente responde pra você.

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