Fique em casa! Aproveite o passeio.

A exposição permanente do Museu possui 56 objetos expostos e aproximadamente 300 fotos e vídeos. Esses números correspondem a cerca de 5% de todo o acervo.

Semanalmente, o departamento museológico recebe doações de fotos, documentos, passaportes e objetos relacionados às vítimas e ao período histórico do Holocausto.

O acervo completo, incluindo aquele acondicionado na reserva técnica, pode ser visto em dois computadores no final da visita ao Museu e em exposições temporárias e itinerantes, como em: “Tão somente crianças: infâncias roubadas no Holocausto”.

Kelly Priscilla Lóddo Cezar

Oi, tudo bem? Eu sou a professora Kelly da Universidade Federal do Paraná-Curitiba. Sou a responsável pelo projeto de pesquisa que envolve a criação de HQs sinalizadas e a criação de materiais bilíngues para surdos.

Hoje apresentamos para vocês uma exposição virtual da História em quadrinhos “A mulher surda na segunda guerra mundial”.

No dia 15 de abril, comemora-se o dia mundial do desenhista e tínhamos agendadas exposições no Museu do holocausto e na Gibiteca de Curitiba. Em razão da atual situação, a editora Letraria nos presenteou com este espaço para seguirmos com nossas pesquisas e os desdobramentos nacionais e internacionais que esta história em quadrinhos tem ganhado.

Aproveitamos o espaço para nossa equipe homenagear o desenhista Luiz Gustavo, o Museu do Holocausto, a Gibiteca, a UFPR, a Letraria e principalmente os leitores por incentivarem sempre o nosso trabalho!!

Danilo Silva

Oi, eu sou o professor Danilo da UFPR. Participo do projeto de pesquisa HQ para surdos da professora Kelly e juntos já criamos HQs bilíngues para surdos. Estamos muito contentes com a grande aceitabilidade dos nossos trabalhos, em especial, com a HQ “A mulher na segunda guerra mundial” que hoje ganha mais um espaço virtual importante. Que esta exposição em parceria com o Museu do Holocausto de Curitiba e com a Gibiteca estimule novas pesquisas na área. Obrigado!

Germano Weniger Spelling

Olá, eu sou o Germano, autor e roteirista da HQ “A mulher surda na segunda guerra mundial”, orientando da Profa. Kelly e do professor Danilo da UFPR. Hoje venho demonstrar meu grande agradecimento à ampla divulgação da história em quadrinhos que criamos. Obrigado! Eu continuo em parceira com o projeto da professora Kelly porque é muito importante para criarmos novos materiais bilíngues para surdos.

A mulher surda na Segunda Guerra Mundial

Uma homenagem à comunidade surda

Essa HQ bilíngue foi idealizada, roteirizada e criada por mim, Germano Weniger Spelling, surdo e aluno do curso de licenciatura Letras Libras da Universidade Federal do Paraná, tendo por objetivo apresentar a história da mulher surda no contexto da Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Criar uma narrativa visual para minha comunidade é a mais bela forma de homenagear minha cultura, meus professores e principalmente meus alunos. Tomando como base meus estudos científicos anteriores, orientados pelo professor Danilo Silva, também surdo (SILVA; SPELLING, 2018), relatamos teoricamente as práticas aplicadas pelo regime nazista sobre pessoas surdas durante o período em questão. Mostramos que milhares de pessoas surdas foram submetidas à eugenia, à eutanásia, à esterilização, bem como a abortos forçados na expectativa de que as pessoas surdas fossem eliminadas em futuras gerações arianas. Esses resultados mexeram muito comigo e, a partir da minha percepção de que eu e outros surdos não sabemos muito sobre a história dos surdos no Brasil e no Mundo, iniciei outra pesquisa: um trabalho de conclusão de curso com a professora Kelly Priscilla Lóddo Cezar, motivado pelo trabalho de Luiz Gustavo Paulino de Almeida e a bela recepção da história em quadrinhos O congresso de Milão. Então, dei início a minha criação. A história aqui contada fala sobre uma mulher surda que, durante a segunda Guerra Mundial, descobre que está grávida e sofre todas as formas de opressão, sendo separada de sua filha depois do parto. Após alguns anos de sofrimento e com o final da Guerra, Sara reencontra sua filha e torna-se professora, repassando seus conhecimentos em língua de sinais. A história é marcante e considerada “pesada”, não há como não se emocionar!!!

Germano Weniger Spelling – Autor
Profa. Dra. Kelly Priscilla Lóddo Cezar – Orientadora e autora da HQ
Prof. Drdo. Danilo Silva – Colaborador e autor da HQ
Luiz Gustavo Paulino de Almeida – Ilustrador

A ideia de construir uma história em quadrinhos para a comunidade surda nasceu após entrar em contato com os trabalhos realizados e divulgados pela professora Kelly, pelo professor Danilo e pelo acadêmico e ilustrador Luiz Gustavo Paulino de Almeida. Após um ano de investigação bibliográfica e documental com o professor Danilo Silva, fui continuar meus estudos sob a orientação da professora Kelly e sua equipe, da qual o professor Danilo participa e o ilustrador Luiz permanece, mesmo já formado.
Tinha muita vontade de divulgar meu trabalho não só da forma escrita ou sinalizada, queria atingir outras pessoas – surdas e não surdas. Tinha vontade de contar a todos o que se passou com os surdos historicamente e ao entrar em contato com as leituras de história em quadrinhos não tive muitas dúvidas, mas me sentia um pouco inseguro.

Foi então que resolvi roteirizar uma história e levar ao grupo de pesquisa “Gêneros Textuais e o ensino para surdos” e me surpreendi com a aceitação e emoção posta pelos integrantes. Não achei que levasse jeito, mas com muitas leituras e com muito empenho, o presente trabalho de conclusão de curso foi possível. O ilustrador aceitou imediatamente o desafio e semanalmente dialogávamos e dávamos forma à história em quadrinhos. Com um trabalho multidisciplinar e diferentes profissionais envolvidos, conseguimos chegar a mais uma HQ bilíngue para surdos.
Depois disso, entramos em contato com a editora Letraria para produção de um e-book com a finalidade maior de se tornar um material bilíngue acessível (as partes escritas estão sinalizadas) que diminua a barreira linguística. O e-book se torna mais uma fonte de divulgação cultural, histórica e linguística, visto que está na modalidade on-line e é gratuito.

Prefácio

A produção de materiais didáticos e pedagógicos para a educação de surdos é hoje uma área central e incontornável para uma aplicação real da educação bilíngue de crianças e jovens surdos, dando cumprimento ao que está legislado em muitos países, mas pouco aplicado na prática, se tivermos em conta o verdadeiro significado do conceito de bilinguismo.
A verdadeira inclusão das pessoas surdas está ancorada no conceito de acessibilidade. Não podemos pensar que a produção de materiais didáticos e pedagógicos bilíngues para a educação de surdos tenha surgido apenas no século XX e muito menos apenas no século XXI. Nunca é demais salientar os trabalhos desenvolvidos das primeiras décadas do século XIX, dos quais salientamos as obras de Roche Ambroise Auguste Bebian em França: Mimographie, ou Essai d’écriture mimique propre à régulariser le langage des sourds-muets (1825), D’enseignement pratique des sourds-muets – Tome I (1827) e Manuel d’enseignement pratique des sourds-muets – Tome II (1827), sendo o primeiro autor a partir das línguas gestuais (sinais) e não da escrita para a construção de materiais como se procedia até então.
Todavia, a partir do final da década de 30 do século XIX a educação de surdos pela via oralista começa a impôr-se, o que viria a culminar algumas décadas mais tarde no fatídico Congresso de Milão de 1880, em que as línguas gestuais eram afastadas do processo de ensino-aprendizagem das crianças e jovens surdos. Também os professores surdos foram afastados e vistos como um mau modelo de professor.
No século XX, principalmente a partir dos trabalhos de William Stokoe (1960), as línguas gestuais começam a ser vistas como verdadeiras línguas e são recuperadas da clandestinidade, tornando-se objeto de estudo pelas academias e incluídas na educação de surdos. Iniciava-se um novo paradigma na História e na Educação de Surdos que é o advento do Modelo Bilíngue de educação desta população, defendendo que as línguas gestuais devem ser adquiridas e aprendidas como primeira língua e as línguas escritas/ orais como segundas línguas. Desde então, as políticas educativas para a educação de surdos têm evoluído bastante e a educação bilíngue é implementada em várias escolas de surdos em todo o mundo, embora esta implementação tenha sido aplicada mais no seu sentido teórico do que verdadeiramente prático e ao serviço das crianças e jovens surdos.
As línguas gestuais por terem estado afastadas das salas de aula durante o período oralista de educação de surdos, embora se tenham continuado a desenvolver fora das salas de aula, foram bastante afetadas no seu desenvolvimento como língua de ensino e educação. Até ao início do século XXI, os materiais didáticos e pedagógicos bilíngues eram muito escassos e invariavelmente partiam das línguas escritas/orais com adaptação para alguns gestos, i.e. as línguas gestuais não estavam contempladas com a primeira língua das crianças e jovens surdos na construção destes materiais.

Ainda hoje em dia, salvo raras excepções, constatamos que muitos destes materiais didáticos, pedagógicos e mesmo lexicográficos para a educação de surdos partem das línguas escritas/orais sendo bilíngues, mas unidirecionais, construídos mais para aprendizes ouvintes de língua gestual como segunda língua do que para surdos que têm a língua gestual como primeira língua.
Sendo a comunidade surda uma comunidade predominantemente visual, a utilização da imagem na educação de surdos é muitas vezes feita sem critério, sem método e por vezes confunde mais do que esclarece.
É exatamente neste ponto que o Projeto de história em quadrinhos (HQ) para a Comunidade Surda vem inovar e dar um contributo inestimável na área da produção de materiais didáticos e pedagógicos bilíngues para a Comunidade Surda.
O projeto está a ser desenvolvido pela Universidade Federal do Paraná (UFPR-Brasil), coordenado superiormente pela Professora Dra. Kelly Priscilla Lóddo Cezar, juntamente com uma equipa de investigadores surdos dos quais destacamos o Professor Danilo Silva. Parte da noção fundamental que a pessoa surda é predominantemente visual e por isso desenvolveu uma língua numa modalidade visuo-espacial. Os livros até agora publicados resultantes deste projeto, O Congresso de Milão e agora A Mulher Surda na II Guerra Mundial, constituem-se como narrativas visuais que vão ao encontro das características da pessoa surda e das características das línguas gestuais. Eles podem ser compreendidos sem recurso às línguas escritas, mas também podem ser complementadas por estas, tornando-se verdadeiros materiais pedagógicos e didáticos bilíngues, tendo como enfoque a pessoa surda, a sua língua e a sua cultura.
A cultura surda também está refletida neste projeto através dos temas abordados, contribuindo para uma apropriação da História e da Cultura da Comunidade Surda, elementos fundamentais para a construção de uma identidade surda.
Este projeto pioneiro, que é já uma realidade, abre as portas a muitos outros projetos assentes numa metodologia consistente e que tanta falta fazem a uma real aplicação da educação bilíngue a alunos surdos por todo o mundo.

PHD Paulo Vaz de Carvalho
Coordenador da Unidade de Investigação do CEDJRP
Lisboa-PT

Depoimentos

Curiosidades

História completa sobre a Segunda Guerra Mundial em Libras (mais de 2 horas de duração)

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